Doença de Parkinson

Entenda o Parkinson

Saiba como identificar e diagnosticar esse problema

Confira matéria da revista Você Saudável

Da mesma maneira que acontece com o Alzheimer, essa é uma doença neurodegenerativa (que traz prejuízos ao cérebro) que se tornou comum entre a população mundial.

Ela ocorre em indivíduos de ambos os sexos, principalmente aqueles que estão com a idade acima dos 50 anos. O Parkinson afeta o sistema nervoso central e compromete os movimentos do paciente e, se não tratado da forma correta, pode comprometer seriamente a capacidade motora de quem convive com essa doença. Ele foi inicialmente descrito por James Parkinson (em 1817), em um trabalho denominado “An Essay on the Shaking Palsy”, e, posteriormente, em sua homenagem, seu nome foi dado à doença.

Por que ele ocorre?

Assim como o Alzheimer, ainda não foi descoberta a cura para essa doença, muito embora pesquisadores e cientistas trabalhem duramente em busca dessa solução. O que se sabe é que a doença causa a morte das células do cérebro, em especial na área conhecida como substância negra, responsável pela produção de dopamina, um neurotransmissor que, entre outras funções, controla os movimentos corporais. “A falta de dopamina ou de seus precursores causa uma deficiência da via nigro-estriatal (conexão), que vai resultar no distúrbio de movimento, conhecido como doença de Parkinson”, explica Eduardo Barreto, neurocirurgião.

Atenção aos Sintomas

Conforme explica Daniel Schachter, neurologista do Hospital São Vicente de Paulo (no Rio de Janeiro), a grande maioria das pessoas que chega ao consultório em busca de ajuda médica já está com 70% do cérebro comprometido pela doença. Exatamente por esse motivo que é muito importante saber identificar os sintomas do Parkinson, com objetivo de ganhar tempo para que o paciente seja tratado e consiga conviver com a doença. Contudo, os sinais da doença podem variar de um indivíduo para o outro. Em geral, no início, apresentam-se de maneira lenta e insidiosa, sendo que o paciente tem dificuldade de precisar a época em que apareceram pela primeira vez.

“O tremor é geralmente o primeiro a ser notado pelo paciente e acomete primeiramente um dos lados, usualmente uma das mãos, como a dificuldade de segurar um objeto ou ler. O tremor é mais intenso quando se está em repouso e desaparece quando em movimento. Este tipo de sintoma é o que faz com que o paciente procure auxílio especializado”, diz o médico Renato Igino dos Santos.

Além desse sintoma clássico, o portador de Parkinson também é vítima de outas dificuldades que aparcem com o tempo, tais como: rigidez muscular, redução da quantidade de movimentos, distúrbios da fala, dificuldade para engolir, depressão, dores, tontura e distúrbios do sono, respiratórios e urinários.

Diagnosticar é Preciso

Quando os sintomas começam, o diagnóstico da doença é feito através de exames específicos. “A doença de Parkinson tem ainda um diagnóstico fundamentalmente clínico, ou seja, realizado a partir de uma avaliação neurológica (anamnese e exame físico). Exames complementares servem para diferenciar a eventual presença de outras doenças que estejam causando os sintomas parkinsonianos”, explica o neurologista Fabio Sawada Shiba. Em outras palavras, os médicos também recomendam diferentes exames para terem certeza de que o paciente não possui nenhuma outra doença no cérebro – as quais podem gerar sintomas parecidos com o Parkinson.

Em muitas ocasiões, é preciso tempo para diagnosticar a doença de Parkinson. Por isso, é possível que os médicos recomendem consultas de acompanhamento regulares com neurologistas especialistas em distúrbios do movimento. Assim, torna-se viável avaliar a condição do paciente e os sintomas ao longo do tempo para, só aí, poderem diagnosticar a doença. “Parkinsonismo é uma síndrome caracterizada por uma lentificação dos movimentos, uma rigidez peculiar, um tremor de repouso e instabilidade postural.

E o diagnóstico se fundamenta na presença de 2 entre 4 destes sinais”, explica Fernando Figueira, chefe do serviço de Neurologia do Hospital São Francisco na Providência de Deus, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que é feito esse acompanhamento, os profissionais qualificados podem pedir exames clínicos para ajudá-los no diagnóstico. “Exames de imagem estrutural como a ressonância magnética e exames funcionais podem auxiliar no esclarecimento diagnóstico, pois estão disponíveis no Brasil”, diz Andre Carvalho Felicio, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

A Ciência Comprova

A Universidade Ferderal de São Paulo (Unifesp) utiliza uma combinação de dois exames que avaliam padrões de tremor vocal, técnica capaz de ajudar a diagnosticar com maior precisão a doença de Parkinson. O novo método é feito através do estudo dos distúrbios da voz e fala e de um exame para visualizar as cordas vocais.

Após o exame, quase 80% dos pacientes com Parkinson apresentaram algum tipo de tremor na laringe, sendo cerca de 65% nas cordas vocais. Segundo Fabio Sawada Shiba, “por depender da ação coordenada de músculos, a voz também se altera na doença de Parkinson, com menor volume e diminuição da variação natural da entonação”. Ou seja, assim como os sintomas mais comuns da doença, a voz também sofre alterações.
Outro aliado da saúde é o olfato, sabia? Além de permitir sentir perfumes e odores, esse sentido também pode ajudar no diagnóstico precoce de algumas doenças neurodegenerativas, como o Parkinson. Pelo menos é isso que indica um artigo da revista Arquivos de Neuropsiquiatria, da Academia Brasileira de Neurologia. Os pesquisadores responsáveis por esse estudo aplicaram um teste simples para a identificação de cheiros e, com isso constataram que 80% dos pacientes com Parkinson, participantes do experimento, apresentaram dificuldades em reconhecer odores. No artigo, os cientistas indicam o teste do olfato como uma possível estratégia, simples e de baixo custo, para o diagnóstico precoce da doença.

TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO

Nos últimos anos, as opções para tratar a doença evoluíram. Mas, de acordo com e Daniel, é imprescindível que o paciente seja acompanhado por um neurologista, já que esse é o médico habilitado para tratar a síndrome. “O profissional irá adotar uma estratégia junto com o paciente, avaliando em que fase da vida a pessoa com Parkinson se encontra, quais são os objetivos que ela busca com o tratamento e como a doença afeta o dia a dia. Dessa forma, ele poderá usar todo o arsenal de remédios disponíveis, da forma mais inteligente e eficaz, ou seja, elaborar um tratamento moldado para cada paciente em específico, levando em consideração suas necessidades”, explica.

Vale Saber

Estimular a memória, ler livros e discutir assuntos do cotidiano são algumas dicas para os pacientes de
Parkinson conseguirem manter uma vida saudável mesmo com os sintomas
desagradáveis. “Para os dois casos, o papel dos familiares e dos amigos ajuda a minimizar e pode até mesmo retardar o desenvolvimento das doenças”, finaliza Eduardo. Além disso, praticar exercícios físicos pode diminuir o progresso dos sintomas e ajuda a manter a qualidade dos movimentos, enquanto
eliminar as bebidas alcoólicas e o cigarro é uma medida fundamental, pois eles contribuem para o desgaste mental. E lembre-se: tenha consciência da evolução da doença, isto é, habilidades perdidas jamais serão recuperadas.

 
 

CONSULTORIA Andre Carvalho Felicio, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein; Daniel Schachter, neurologista do Hospital São Vicente de Paulo (no Rio de Janeiro); Eduardo Barreto, neurocirurgião; Fabio Sawada Shiba, neurologista; Fernando Figueira, chefe do serviço de Neurologia do Hospital São Francisco na Providência de Deus, no Rio de Janeiro; Renato Igino dos Santos, médico

 

Matéria retirada da revista Você Saudável, Ano 6, nº 79 – 2016, Editora Alto Astral
 

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